Do Técnico em Processamento de Dados à Gestão de Redes/Cloud de uma fintech: minha história em redes

julho 2026 · leitura de 6 min carreira redes

Todo engenheiro de redes tem uma primeira madrugada de plantão que nunca esquece. A minha aconteceu há mais de vinte anos, e desde então praticamente não parei — só troquei o console de terminal pela cadeira de gestão, sem nunca sair de perto do cabo, do roteador ou, mais recentemente, do console da AWS.

Esse post inaugura este espaço, então achei justo começar contando quem sou e por que resolvi escrever. Nada de currículo formal — isso o LinkedIn já resolve. Aqui a ideia é contar a história por trás dos cargos.

De onde eu vim

Antes de qualquer diploma, teve um tio. Foi ao lado dele que tudo começou — eu sentado por perto, curioso, vendo aquele 486 DX4-100 (e, mais tarde, os primeiros Pentium) ganharem vida nas mãos dele. Ele montava, formatava, instalava sistema operacional, resolvia os problemas mais bizarros como quem toma um café. Eu chegava em casa querendo repetir tudo sozinho, sempre quebrava alguma coisa, e ele vinha — sem reclamar — consertar o estrago. Foi ali, sem nenhuma cerimônia, que decidi que, quando crescesse, eu queria fazer exatamente aquilo.

Não tive um mentor de livro. Tive um tio com um 486 DX4-100 e paciência infinita para me deixar quebrar tudo.

Anos depois entrei no Técnico em Processamento de Dados, e a escola trouxe junto meu primeiro estágio na área. Dali em diante nunca mais parei — nem de estudar, nem de trabalhar com tecnologia.

Um dos primeiros saltos foi de cabeça no universo Windows, onde tirei o MCSA (as clássicas provas 70-270, 70-271, 70-290 e 70-291). Foi também nessa fase de descoberta que fiz um amigo para a vida inteira — até hoje a gente se fala com frequência — que me apresentou o mundo de redes: falou de Linux, do FOCA Linux, do CCNA da Cisco, e me indicou o caminho da Fundação Bradesco. Foi lá que aprendi rede de verdade — o que é subnet, o que é uma tabela de roteamento e, principalmente, que teoria bonita em slide é uma coisa; rede em produção, discutindo com switch que não sobe VLAN às duas da manhã, é outra completamente diferente.

certificação
MCSA
Microsoft · Windows Server
70-270 · 70-271 · 70-290 · 70-291
certificação
CCNA
Cisco · Routing & Switching
Fundação Bradesco

Nos anos seguintes, essa base foi ficando mais sólida na prática: cabeamento estruturado, roteamento, datacenter on-premise. É o tipo de trabalho que ensina humildade — a rede sempre encontra um jeito de te lembrar que você não sabe tudo.

Dali para frente vieram vários perrengues bons: passei pelo maior provedor de webhosting da América Latina, mexi com SAP Basis, cuidei de backup — com robôs de mais de cinco drives rodando sem parar — e entrei de vez em Kubernetes e nas nuvens (AWS, Azure, GCP e OCI), sem nunca largar o on-premise. Foi essa mistura de perrengue com curiosidade que me trouxe até aqui, hoje liderando um time de engenharia de redes.

Rede em produção não perdoa. E foi exatamente isso que me ensinou a liderar.

Quando a gestão entrou em cena

Em algum momento da carreira, percebi que o que mais me dava energia não era só resolver o incidente — era montar o time que resolvia o incidente bem, e sem sofrimento. Foi esse interesse que me levou à pós-graduação em Liderança e Inovação na FGV, uma das decisões mais importantes que tomei: trocar parte do tempo estudando protocolo por tempo estudando gente.

Hoje atuo como Tech Manager do time de Engenharia de Redes em uma das maiores fintechs do Brasil. É um ambiente de missão crítica de verdade: qualquer instabilidade de rede vira, em minutos, um problema de negócio, de transação, de confiança do cliente. Liderar um time de alta performance nesse contexto é um exercício diário de equilibrar duas coisas que parecem opostas — dar autonomia técnica e, ao mesmo tempo, manter o rigor operacional que o ambiente exige.

Redes tradicionais, cloud e a jornada que continua

Ao longo do caminho, acumulei certificações que marcam bem essa jornada entre dois mundos: CCNACCNP em andamento do lado de redes tradicional Cisco, Fortinet NSE 1 a 4 do lado de segurança de rede, e AWS Solutions Architect Associate do lado de cloud. Já operei redes on-premise e também arquiteturas em AWS, Azure, OCI e GCP — o suficiente para ter opinião formada sobre onde cada modelo brilha e onde cada um dói.

Meu momento atual é de continuar essa dupla jornada: estou me preparando para o CCNP, para o AWS Solutions Architect Professional e para o CKA, e estudando bastante Infraestrutura como Código — porque cada vez mais fica claro que o futuro da engenharia de redes passa por tratar rede como se trata software.

Por que este blog

A ideia deste espaço é simples: trocar experiência. Quero trazer, toda semana, um pouco do que vejo no dia a dia — seja um problema real de rede, uma decisão de arquitetura em cloud, um aprendizado de IaC ou uma reflexão sobre liderar times técnicos sob pressão. De forma leve, sem enrolação, mas com a bagagem de quem já apanhou bastante nesses mais de vinte anos de estrada.

Se você é engenheiro de redes migrando para cloud, gestor técnico tentando equilibrar entrega e cuidado com o time, ou só alguém curioso sobre como é o dia a dia por trás de uma fintech — este espaço é para você. Semana que vem tem post novo.

Próximo post: bastidores de cloud e os primeiros passos com IaC.

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